
A medicina do emagrecimento vive um momento de grandes descobertas, e um novo estudo publicado neste ano trouxe respostas importantes para quem considera o tratamento farmacológico da obesidade com os chamados análogos de GLP-1. A pesquisa comparou, de forma direta, dois dos medicamentos mais discutidos atualmente: a tirzepatida e a semaglutida.
O que mostrou o estudo SURMOUNT-5
Os resultados completos do estudo SURMOUNT-5, um ensaio clínico de fase 3b conduzido pela Eli Lilly, foram publicados no New England Journal of Medicine (NEJM) e apresentados no European Congress on Obesity, em maio de 2025. O estudo acompanhou 751 adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como hipertensão ou dislipidemia, durante 72 semanas.
O desfecho principal comparou a variação percentual do peso corporal entre os dois grupos. Em média, os participantes que usaram tirzepatida perderam 20,2% do peso corporal (equivalente a 22,8 kg), enquanto o grupo tratado com semaglutida registrou perda média de 13,7% (15,0 kg). Além disso, 19,7% das pessoas no grupo da tirzepatida alcançaram redução de pelo menos 30% do peso, contra 6,9% no grupo da semaglutida. A circunferência da cintura também apresentou redução mais expressiva com a tirzepatida.
Ambos os medicamentos mantiveram perfis de segurança consistentes com estudos anteriores, sendo os efeitos gastrointestinais os eventos adversos mais comuns relatados nos dois grupos.
Por que a resposta ao tratamento varia entre as pessoas
A tirzepatida atua de forma dupla, estimulando os receptores de GLP-1 e também de GIP (peptídeo inibidor gástrico), enquanto a semaglutida age apenas sobre o receptor de GLP-1. Essa diferença de mecanismo ajuda a explicar, em parte, os resultados observados no estudo. No entanto, especialistas destacam que a resposta a qualquer uma dessas medicações não é uniforme: fatores como perfil metabólico individual, adesão ao tratamento, hábitos alimentares e nível de atividade física influenciam diretamente o resultado final.
É justamente por essa variabilidade que a escolha do medicamento, da dose inicial e do ritmo de titulação deve ser feita de forma individualizada, com base em avaliação clínica completa e não em modismos ou indicações genéricas encontradas na internet.
O acompanhamento médico faz toda a diferença
O crescimento da procura por medicamentos GLP-1 no Brasil também tem acendido um alerta entre médicos e sociedades de especialidade sobre o uso indiscriminado e a automedicação, muitas vezes sem prescrição, sem exames prévios e sem monitoramento durante o tratamento. Esse tipo de prática aumenta o risco de efeitos adversos mal manejados, perda de massa magra não acompanhada e resultados que não se sustentam a longo prazo.
Esse tipo de achado científico reforça a importância de protocolos clínicos supervisionados, que envolvem avaliação médica individualizada, exames laboratoriais periódicos, ajuste de dose conforme resposta e tolerância de cada paciente, além de orientação nutricional e acompanhamento contínuo. A combinação de medicação com mudanças sustentáveis de hábitos é o que sustenta resultados a médio e longo prazo, e não o medicamento isolado.
O que costuma compor um acompanhamento responsável
Na prática clínica, o uso de medicações como tirzepatida e semaglutida costuma ser acompanhado de perto por meio de consultas de retorno regulares, exames de sangue para avaliar função hepática, renal e perfil metabólico, além de ajustes de dose graduais para reduzir o risco de efeitos gastrointestinais. A orientação nutricional e o incentivo à atividade física fazem parte desse processo, já que a preservação de massa magra durante a perda de peso é uma preocupação constante entre especialistas em obesidade.
Um tratamento, muitas variáveis
Os dados do SURMOUNT-5 são um avanço relevante para a ciência do emagrecimento, mas não substituem a avaliação individual de cada caso. Antes de iniciar qualquer tratamento com análogos de GLP-1, é fundamental passar por consulta médica presencial, com investigação de histórico de saúde, exames laboratoriais e definição de metas realistas junto a uma equipe multidisciplinar.
Este conteúdo tem finalidade educacional e informativa, com base em estudos científicos publicados. Ele não substitui a consulta médica presencial, o diagnóstico individualizado ou a prescrição de um profissional de saúde habilitado.

